música: um chamamento de alma mais. as máquinas viriam depois.

Alma Machina

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História

Nascemos oficialmente a 31 de Outubro de 2015, em Macau. A ideia partiu do Henrique Caetano (guitarrista, beatmaker, compositor, teclista, vocalista, letrista, misturador e produtor de acasos diversos), que procurava um baixista. Eu ofereci-me e ele aceitou. O nome surgiu pouco depois.

Inicialmente, a formação tinha uma vocalista (Joana Dente), com a qual fizemos duas canções. Pouco depois, ficámos eu (baixista, vocalista, letrista e também produtor de acasos) e ele. Fomos fazendo (durante algum tempo à distância: o Henrique em Portugal e eu em Macau) canções ao ritmo das circunstâncias – é hobby profissional ou uma profissão a tempo estendido este nosso de escritores de canções.

A música sempre me atraiu

 

No Zimbabwe dos anos 70, a música que era então muito popular ainda hoje continua a ser ouvida e até objecto de atenção crítica variável – Abba, Carpenters, Neil Diamond, Eagles ou Led Zeppelin, entre outros. Existia um programa televisivo semanal com todos eles.

Porém, os sons que mais ressoaram na minha alma eram produzidos por uns tipos maquilhados como se fossem bonecos ou fantoches – sabia que davam pelo nome de KISS.

Chegado a Portugal, só muito mais tarde pude ouvir os sons que mais me agradavam, não sem ouvir artistas mais correntes como Duran Duran, Michael Jackson e Queen (discos Rio, Thriller e The Works, respectivamente) ou até Yazoo (Upstairs at Eric’s), mais subterrâneos este.

Ouvia o programa Quando o Telefone Toca sempre que podia, esperando que algum ouvinte pedisse uma canção de uns certos Iron Maiden – praticantes do “som eterno”, o heavy metal. Já era alguma coisa...

Nos anos 80, o FMI sujeitava os portugueses ao “apertar o cinto”. Era muito dispendioso importar discos e era-me difícil obter música. Lá conheci Pink Floyd, Supertramp ou Kraftwerk de um amigo e pouco mais.

Tudo mudaria em Abril de 1985, quando adquiri o meu primeiro jornal Blitz – o nº 25, de 23 de Abril de 1985. A capa era dedicada aos Tears For Fears, com artigos acerca de Van Morrison, Marianne Faithfull e Sisters of Mercy. Os sons de muitos dos artistas que apareceram no jornal foram uma incógnita durante os dois anos seguintes, mas depressa a minha atenção se focava naqueles mais ou menos subterrâneos como Mão Morta, Diamanda Galás, Lydia Lunch, Mler Ife Dada, The Smiths, Pop Dell’ Arte, The Cure... ou Slayer – artigos dedicados ao “som eterno” eram apenas quinzenais (e António Sérgio já levava um ano e meio do programa Lança Chamas dedicado ao género).

A secção Pregões e Declarações do jornal era um local de encontro e desencontro. Haveria de a ver desaparecer e de ver o heavy metal com artigos semanais regulares nos anos 90. Seria apresentado à música mais improvisada, oblíqua ou esquizóide ou conceitos estéticos e técnicos invulgares via a secção Manifesto com Jorge Lima Barreto – aí conheceria os portugueses Santa Maria Gasolina em Teu Ventre! Que dizer da secção Malucos da Pátria, documentando as primeiras grandes digressões de grupos portugueses, especialmente a dos Xutos e Pontapés promovendo o disco Circo de Feras? Parecia-me um tempo de gigantes...

Acabei por sentir que um certo espírito de partilha e cooperação e de “faça você mesmo” tinha desaparecido do jornal. Ao fim de mais de 800 exemplares dele guardados, terminei a relação. Adquiri apenas um ou dois números da revista.

O interesse não esmoreceu, mantidos por revistas portuguesas como a Underground (desaparecida) ou a Mondo Bizarre (ainda existente). Anos mais tarde, a chama seria também alimentada por publicações em papel ou online como a Wire, CVLT Nation, The Free Jazz Collective e Angry Metal Guy, com presença assídua de agrupamentos ou editoras portuguesas, sempre muito respeitados e acarinhados pelas respectivas comunidades – dos Moonspell à editora Clean Feed. 

Tanto interesse musical teria de manifestar-se fisicamente. Ao fim de muitos anos, as pessoas e as circunstâncias certas levaram-me a aprender a tocar uma guitarra de seis cordas. Porém, eu já tocava regularmente uma de quatro num agrupamento chamado Alma Machina.